Escuridão e sangue


Homem durante o dia, mas, quando a lua cheia surge no céu, o ser humano dá lugar a um animal. A famosa duplicidade do lobisomem sempre ocupou o imaginário das pessoas com o seguinte questionamento: até onde vai o homem que existe na fera e até onde vai a fera que existe no homem? Longe de qualquer preceito psico-filosófico de uma análise quase freudiana do personagem em si, ela sempre foi considerada uma mera coadjuvante, já que vampiros e monstros, como Frankenstein, podem se gabar de terem uma vasta e decente lista de representações. Mas o homem-lobo sempre habitou as salas de cinema, seja na famosa série teen “Crepúsculo” ou no mais novo blockbuster de terror: “Lobisomem”.

Com o Benício Del Toro no papel principal, “Lobisomem” brinca com o claro e escuro dos filmes de terror antigos, já que é a refilmagem de um clássico de 1941. De forma sombria e gótica, a película trata da história de Lawrence Talbot, famoso ator de teatro, que retorna a cidade natal para investigar o sumiço e a morte do irmão mais novo. Chegando lá, encontra a noiva do irmão Gwen, interpretada por Emily Blunt, o misterioso pai, papel de Anthony Hopkins, e uma estranha maldição. Suspeito de uma série de assassinatos, Lawrence começa a ser investigado por um detetive interpretado por Hugo Weaving. Mas não há um homem que controle a força de um animal.


O filme ganha pontos pela boa atuação de Del Toro, que tem no currículo “Che” e “21 gramas”, mas nunca teve seu nome ligado a filmes mais comerciais e, em algumas entrevistas recentes, se revelou um grande fã de filmes de terror e, em especial, de personagens incompreendidos e com problemas de sociabilidade. Emily Blunt, a mocinha da história também não decepciona, já que se mantém longe do estereótipo de “donzela em perigo”. Mas, como era de se esperar, a grande atuação do filme é de Anthony Hopkins, que une com perfeição o sarcasmo corriqueiro dos filmes de terror sangrentos e do mistério ininterrupto da história. Para aqueles que gostam de sangue, o filme, do mesmo diretor de “Querida, Encolhi as Crianças”, também é indicado, já que o Lobisomem, assim como os lobos, é um predador voraz e violento com suas vítimas, tingindo o cenário sombrio, cinza e escuro de vermelho.