Sangue na água

(ou “Piiiiiiiiranhaaaaa, é um peixe voraz…”)

Nos filmes de terror americanos, as férias de primavera são épocas bastante propícias para assassinatos em série, desastres naturais e maldições. Afinal, jovens bêbados e sem controle são alvos fáceis e dão uma atmosfera de casualidade às eventuais mortes que podem - e devem - ocorrer, ainda mais quando são terrivelmente lentas, dolorosas e sangrentas. Esse é o mote - e parte da sinopse - do terror Piranha, dirigido pelo francês Alexandre Aja.

Durante um terremoto, uma fenda no fundo do lago principal de uma cidade do Arizona se abre e libera piranhas pré-históricas, escondidas em um pequeno abrigo por milhares de anos. Sedentas por sangue, saem aterrorizando a população e milhares de jovens turistas.

Com o ex-galã Jerry O’Connell, - um dos ex-namorados de Sidney na trilogia Pânico -, a atriz pornô Gianna Michaels e o eterno Doc da série De Volta para o Futuro, Christopher Lloyd, em papéis secundários que merecem atenção, Piranha é mais um caso de refilmagem que deu certo e merece ser vista. O remake não deve nada ao original, pois mesmo com todos os apetrechos tecnológicos utilizados na atual versão, mantém um pouco da áurea cult da primeira, cuja sequência foi dirigida pelo então desconhecido James Cameron.

O 3D volta aos seus primórdios, já que foi criado como um macete para atrair fãs de filmes trashpara o cinema, e apenas torna o longa mais divertido. Os amantes de megalomanias cinematográficas, como Avatar, certamente se sentiram ofendidos, porque o diretor do longa indicado ao Oscar abominou a produção de Aja. Os efeitos são bons, passam realidade à cena e quebram com a estigma que obras de terror costumam ser mal feitas e completamente fantasiadas, mas o surrealismo não é, em tempo algum, abandonado.

Piranha não foi feito para ser bom, mas para divertir e enojar. Politicamente incorreto e com um humor negro – e de gosto duvidoso -, o filme tem nessa quebra com o convencional seus pontos fortes. “Suor, sexo, sangue” são as palavras que melhor o definem, já que a história se passa em lugar quente, cheio de moças bonitas de roupas minúsculas e com peixes assassinos. E o filme não quer mostrar nada além disso. Quem vai ao cinema esperando um filme revolucionário, certamente se decepcionará. Mas, para aqueles que buscam diversão, ela é garantida.

 

Trailer