Sobre vampiros e lobos

O meu primeiro contato com a série “Crepúsculo" foi quando uma amiga minha disse que precisava ler a coleção toda antes que o primeiro filme da série entrasse em cartaz. Cinco horas depois, ela já estava viciada em vampiros, Forks e no Edward. Assim como uma epidemia-zumbi, o vírus Twilight foi passando de leitor para leitor. Com o filme, a epidemia se tornou ainda mais devastadora.

 
Assisti o primeiro filme da série, "Crepúsculo" depois de convencida por duas amigas minhas que iria gostar. Não gostei, mas confesso que não achei ruim. A história de amor entre a adolescente-emo Bella (Kristen Stewart) e o vampiro-vegetariano Edward (Robert Pattinson) é fraca, fácil e sem grandes atritos, mas cumpre o seu papel de "filme para meninas". A trilha sonora é boa, os efeitos são péssimos e algumas atuações são medianas.
 
 
Com o mesmo pretexto de "vamos ver no que vai dar", fui ver o "Lua Nova" no dia de estréia. Não vou comentar que comprei o ingresso duas semanas antes e que o cinema tava tão cheio que entrei na sala uma hora antes da sessão e não consegui um dos melhores lugares. O dramalhão do romance da emo com o vegan é elevado à vigésima potência, agora que ela percebe que vai envelhecer e ele vai ficar Robert Pattinson para sempre. Acontece que a nossa bela dama é abandonada pelo vampiro e entra em depressão, até encontrar com o peitoral e com a amizade do menino-lobo Jacob (Taylor Lautner).
 

Detesto filme que força a sua emoção. Sabe aquela cena do "Titanic" em que o Jack morre congelado quando está agarrado na porta em que a Rose está boiando? É ela gritar "Jack?" e "My heart will go on" começar a tocar para você começar, inevitavelmente, a chorar? Pois é. Em "Lua Nova", a emoção é totalmente forçada. Você TEM que chorar quando a Bella é largada e quando ela volta para os braços branquelos do nosso herói, senão a diversão fica incompleta. Eles querem que você chore, então vá esperando o "momento lencinho". Os efeitos especiais também são de chorar, assim como a atuação dos protagonistas, que constantemente beiram o caricato. Mas, a trilha continua boa, apesar de ser mais dramática que a do primeiro filme, e é ainda um ponto positivo para se acompanhar a série.

"Lua Nova" e "Crepúsculo" são filmes de entreterimento e só. Não vá esperando qualidade de roteiro, de atuação e tudo mais, porque o filme não foi feito com o intuito de "fazer escola". Não sou de mandar as pessoas fugirem de filmes, mas, nesse caso, abro uma brexa: assista o primeiro filme para dizer que assistiu e só veja "Lua Nova" para rir ou chorar (devido aos defeitos, é claro).

Sr. Anderson e a raposa

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Wes Anderson é um dos meus diretores/roteiristas favoritos. O humor negro, os silêncios constrangedores e a forma com que ele trata as relações familiares sempre me encantaram.

Ao entrar no mundo da animação, Anderson não poderia ser inovador. Em “O Fantástico Sr. Raposo”, o diretor inova, em tempos de overdose de animação digital, ao fazer stop-motion com fotografias tiradas uma a uma de bonecos em movimento, apesar de manter o seu estilo de roteiro e de humor inteligente.

A história é a mesma bagunça de todos os roteiros de Wes. Sr. Raposo se muda com a família para uma árvore e acaba tendo diversas desavenças com os fazendeiros da área. A história é baseada no livro de mesmo nome de Roald Dahl, autor de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. 

As vozes são um ponto a se notar. Toda a “gangue” de Wes Anderson entrou na jogada, até ele mesmo. Bill Murray (sempre hilário), Owen Wilson e Jason Schwartzman (sempre fofo) estão lá, além de figurinhas “novas” no fabuloso mundo de Anderson, como George Clooney, que dá voz e trejeitos a Mr. Fox, e Meryl Streep.

Vale a pena para quem gosta de animação, para quem gosta de Wes Anderson ou até mesmo que vai pela trilha sonora, que sempre dá ponto positivo para os filmes de Wes Anderson.

Nunca pare de filmar

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Novo filme de terror é sempre uma surpresa. Podemos nos deparar com um dos futuros ícones do gênero ou com um lixo manchado com tinta vermelha e groselha. Diferentemente dos filmes que precisam de shows tecnológicos para se tornar plausíveis, os filmes de terror nunca precisaram muito disso, apenas de um pouco da imaginação do espectador. Sendo assim, é difícil um filme hollywoodiano de terror-trash ganhar os corações. Desse vazio por sangue-falso e zumbis, nasceu o amor dos fãs do gênero por os chamados “pólos alternativos do cinema mundial”.

Toda essa “referência histórica” é para falar sobre “[REC]”, de Jaume Balagueró e Paco Plaza. O filme conta a história da repórter Ângela e do cinegrafista Pablo que fazem um programa sobre a rotina dos profissionais que trabalham de madrugada. Durante a gravação de uma matéria acompanhando a rotina de um corpo de bombeiros, eles acabam indo atender um chamado em um prédio residencial, mas o que seria uma simples matéria acaba virando um pesadelo.

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Interessou? Sim, a história é simples e o filme segue a lógica do famoso “A Bruxa de Blair”: câmera na mão, “nunca parar de filmar” e sustos repentinos. Usar handycam tem se tornado quase uma obrigação em um filme de terror moderno, começando com o já citado “Bruxa de Blair” e indo até “Cloverfield”. A filosofia de incluir o espectador na trama tem sido uma forma de lidar com os roteiros não-críveis das histórias de terror.

“[REC]” dá realmente muito medo e dá aqueles sustos óbvios nas horas mais oportunas, mas que a nunca deixam uma alma sem pular na poltrona. Não é preciso falar que o filme foi um sucesso na Europa e, como todo o sucesso internacional com pegada independente, teve o seu remake hollywoodiano. “Quarentena” é mais bem feito, bem mais acabado e bem mais mal atuado. Mas, não chega nem aos pés do terror causado por “[REC]”, que ganhará uma seqüência em 2010. Tomara que não queiram fazer o mesmo com o remake.

Teaser de [REC]²

Terror no Éden

É notório que os filmes de Lars Von Trier conseguem aflorar sensações bastante adversas em seus telespectadores. Segundo uma das milhares de comunidades do site Orkut que celebram o talento do cineasta dinamarquês, quem assiste um de seus filmes tem vontade de agredi-lo e de abraçá-lo. Com o seu novo filme, essas “sensações adversativas” ficam à flor da pele.

Criado em uma crise depressiva do cineastra, "Anticristo" é a sua mais nova obra. E, logo em sua primeira exibição no Festival de Cannes, gerou, como já era de se esperar, muita polêmica. Cenas de sexo e de mutilação, dois atores em cena, um cenário bucólico, câmera lenta e uma raposa falante se misturam em um universo paralelo chamado Lars Von Trier.

A história do filme é a seguinte: depois da morte do filho pequeno, uma jovem escritora (Charlotte Gainsbourg) entra em profundo luto. O seu marido (Willem Dafoe), que trabalha como terapeuta, começa a tratar a esposa. Em uma viagem a uma cabana, chamada ironicamente de Éden, fatos estranhos começam a ocorrer. Sinopse de filme de terror, não? Mas o filme é muito mais que um simples filme de terror, pois trata do medo e do mal como forças supremas e muito maiores do que podemos controlar.

O filme é dividido em 6 partes. Na sequência inicial, o "Prólogo", é apresentada uma cena de sexo estilizada em preto-e-branco, que contrasta com a cena da morte do filho. Esse contraste é constante em todo o filme. Drama, terror e sangue se misturam com sensações de nojo, repulsa, ódio e prazer. Enquanto Lars brinca com os sentimentos dos expectadores, os expectadores brincam de gostar e de odiar os seus filmes.

 

Quer ver a foca ficar feliz?

Reza a lenda que o Bola da Foca nasceu de uma ligação telefônica nos corredores da Faculdade Cásper Líbero. Algo como: “E aí, cara? Vamos fazer um blog? Um blog de notícias onde gatos no telhado e guerras mundiais tenham o mesmo valor-notícia?” Bizarro, certo? Uma epifania, eu diria.

“Bola da Foca é o resultado de desocupações. Também é resultado de um título esdrúxulo que agrega gente que gosta de noticiar, os quase-profissionais que desejam ter os seus textos publicados em algum lugar.” (Fonte: Eles mesmos)

De jornalista inexperiente (um foca) em jornalista inexperiente (outro foca), o blog-colaborativo-de-comunicação cresce mais a cada dia e faz com que focas tenham um mar livre para aprender nadar.

Parabéns ao Bola da Foca por fazer parte do TOP 100 do Prêmio Top Blog e mostrar que a inteligência coletiva pode mudar a forma de fazer jornalismo.

Na foto: um pedaço pequenino dos 47 focas colaboradores.

Ana Castilho, Mariana Bruno, Pedro Zambarda, Priscila Jordão, Fernanda Chazan e Ariane Fonseca. Detalhe? Todo mundo tá de VERMELHO-E-PRETO, as cores do Bola. =D

PS: Minha primeira matéria publicada no Bola: Múmias na China?

A vida é um jogo

A primeira vez que Gael Garcia Bernal e Diego Luna contracenaram juntos foi na novela mexicana “Vovô e Eu”, sucesso da Televisa e do SBT nos anos 90. Gael era um dos protagonistas e Diego fazia parte de sua turminha de amigos. Mas, eles apenas se tornaram internacionalmente conhecidos com o lançamento do road-movie-latino-americano “E Sua Mãe Também”, premiado no Festival de Veneza em 2001.

A dupla voltou a dividir as telas esse ano em “Rudo Y Cursi”. Exibido no Festival de Sundance no começo do ano, o filme será lançado no Brasil diretamente nas locadoras, depois de exibições no Festival de Cinema Latino-Americano. O longa é a primeira produção da ChaChaCha, produtora de Guillermo Del Toro ("Labirinto do Fauno"), Alejandro González Iñárritu ("Babel") e Alfonso Cuarón ("Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban").

O filme é uma crônica diferente sobre o mundo do futebol, suas aventuras e desventuras. Tato (Luna), o "Rude", e Beto (Bernal), o "Brega", são irmãos e trabalham em uma plantação de bananas no México. Durante uma partida de futebol de várzea, chamam a atenção do olheiro Batuta (Guillermo Francella). Mas, como apenas um deles pode ser escolhido, Beto acaba se tornando uma grande estrela do futebol, mesmo tendo o sonho de se tornar cantor. Um tempo depois, Tato acaba tendo a sua chance também, mas no time rival do irmão. Máfia futebolística, "maria-chuteiras", breguisse, drogas e muitas metáforas futebolísticas completam o humor negro tradicional dos roteiros de Carlos Cuarón ("E Sua Mãe Também").

Um ponto positivo do filme, além das frases filosóficas de jogo de futebol e mesa de bar, é o trabalho de divulgação do filme. O site oficial é divertidíssimo e faz com que você entre no mundo do filme. Também foi lançado no Youtube um vídeo-clipe de Gael Garcia Bernal, caracterizado como Brega, cantando "Queiro que me queiras", mais conhecida como "I want you to love me". Para fãs ou não de futebol, humor negro e atores bonitinhos, "Rudo y Cursi" é uma ótima jogada.

A Onda dos camisas brancas

O que é importante em uma ditadura? Baseado em uma história real ocorrida na Califórnia no final dos anos 60, o filme “A Onda” mostra a experiência de um professor de uma escola secundária na Alemanha. O filme é um remake de um filme americanos feito para a televisão em 1981.

Usando os alunos como “ratos de laboratório”, Rainer Wenger (Jürgen Vogel) cria um movimento autocrático durante uma oficina de uma semana sobre uma forma de governo. Os alunos, intusiasmados com os ideais de poder, disciplina e comunidade, o nomeiam de “A Onda”. Mas, como era de se esperar, o experimento sai do controle do professor e acaba se tornando uma obcessão para os seus alunos, resultando em trágicos acontecimentos.

Ideais políticos deixados de lado, o filme é realmente muito bom. Filmado na estética de documentário, ele não traz apenas uma ideia de realidade e de atualidade, mas também carrega lirismo e, ao mesmo tempo, um pouco de sangue-frio. Não há como não se sentir atormentado após o fim do filme.

Cena do filme.